domingo, 13 de dezembro de 2009

Generosidade

Não foi uma notícia de jornal que li ou uma reportagem de tv que vi, daquelas que me impressionam de tal forma que questiono ingenuamente incrédula: será que há realmente pessoas assim? Pois bem, há-as e bem perto! É assustadora a força da mágoa a manipular a mente, alterando perspectivas e levando-as para bem longe da razoabilidade. Poderão ser apenas palavras proferidas com tamanha dor, acompanhadas de uma raiva tão intensa que ouvi-las é já um verdadeiro filme de terror para mim. O bestial passa a besta numa abrir e fechar de olhos, os sentimentos mudam, as prioridades alteram-se, a realidade passa a ser outra. O desejo de vingança prevalece e eu, uma vez mais, sinto a desilusão.
É tão preciso ser-se generoso. Ser assim nobre, não digo que seja fácil, porque a generosidade representa uma atitude gratuita, mas quando se é generoso, também não se pensa em cobrança, por isso é a coisa mais simples do mundo. Basta um pouco de despojamento, e é bem mais proveitoso ocupar o pensamento e a energia à procura de soluções realmente eficazes do que perder tempo e criatividade a elaborar planos que mais não farão do que aumentar a instabilidade e dividir famílias. Mesquinhez poderá levar alguém ao 1º lugar do podium mas o verdadeiro problema subsistirá.
O melhor prémio será a consciência tranquila e o prazer de dar (afinal até há uma recompensa!). Só assim faz sentido para mim. Tempo, companhia, carinho, cuidado, dedicação. Amor. Ouvir, estar, compreender, ajudar. Amar. Tenho esperança que a luz aclare ideias e que tudo volte ao lugar, bem arrumadinho! Ouvi, mas não gosto de filmes de terror, por isso espero não vir a assistir a nenhum!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Incompreendida ou não entendida

Como é que ainda fico surpreendida com a incompreensão ou o não entendimento de mim por pessoas que mal me conhecem ou que, digo mesmo, que nada me conhecem?
Não deveria ser a sinceridade compensadora por si mesma? Não seria a transparência a moeda justa de troca pela confiança de outros? Cada vez mais me parece que não. Frustra-me e irrita-me. Provavelmente julgam-me cínica, falsa, mas como é isto possível?! Como é que consigo enganar assim certas pessoas ? Pessoas próximas, porém distantes, claro! Não pode ser, não consigo acreditar que a minha essência não seja reflectida, que eu não espelhe a minha verdade, que é pura e simples e completamente despojada de pejorativos interesses. Sou grata por ser e estar, pelos sorrisos e lágrimas que lisonjeiramente testemunho, pelo que me é permitido contemplar em gente, em sítios, em coisas. Em troca, respeitem-me como a uma anónima, é melhor do que inventarem sobre mim.
Constato que a prudência é o melhor aliado. Afinal, aquela transparência não é mais do que uma exposição que se revela nefasta. E cá estou eu, também a ser formatada, a deixar-me de lado para aproximar-me do estereótipo convencional e obter a aceitação, livre de preconceito. Cá estou eu a ouvir os outros conjecturarem sobre a minha pessoa, sem nada saberem dela. O que é certo é que os ouço e que acabo por ser manipulada. Fraca, também me canso de estar sempre na linha da frente em combate e cedo, provando mais um pouquinho do sabor da derrota. A irreverência também pede férias ou então é levada pelos anos que passam. Odeio negligenciar, mas preciso descansar…

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Verdadeiro espírito de Natal


Não posso deixar de publicar este pedido que acabei de receber. Reflecte o espírito natalício que subscrevo. É preciso ter coragem para renunciar assim ao materialismo e assumi-lo perante família e amigos e vizinhos. A Leonor ainda é pequenina, tem só 4 anos, mas EU SEI, já vi, que ela também percebe e aceita isto com um grande sorriso. Bravo!!!


"Amigas, Vizinhas, e família
Antes de mais votos de excelente Natal!
Pois cá venho eu falar-vos de um tema que me incomoda e como já sabem que sou assim …. avanço com a minha já tão conhecida frontalidade:
Este ano, gostaria de partilhar convosco o seguinte:
1. A Leonor tem milhões de brinquedos
2. Neste altura do ano, vai receber outros tantos (avós, e família directa, empresa)
3. Não aprecio mesmo nada o momento de abertura compulsiva dos mesmos na noite em que é suposto estarmos com miminhos e muitos!
Pelo que, espero que não se sintam incomodados com a minha decisão mas peço-vos para NÃO comprarem prenda de natal para ela. Não deverá ser uma obrigação pelo que fica aqui o meu pedido…. A minha filha também agradece, pois é uma forma de educação. Ter menos, para SER mais…
O Natal não é isso, e a vida não está para isso.
Em vez disso (e caso pretendam) agradeço que canalizem a quantia que iam gastar com ela em algo que possa ajudar as crianças que de facto necessitam. Ou não, cada um sabe da sua vida.
No que me diz respeito, vou agarrar numa determinada quantia e vou distribuir pelas associações que conheço, com alimentos e outros bens de 1ª necessidade. Faço-o sempre, mas agora farei talvez com outro maior cuidado.
Todos os anos há uma escolha em minha casa, de dezenas de brinquedos com que não se chegou a brincar… e não é justo.
Como decerto entenderam, cada um fará o que melhor decidir, mas no meu caso e olhando para todos vós (felizmente) não vejo necessidade deste consumo e não me parece que as vossas crianças fiquem mais felizes com o presente residual que se oferece no Natal. Nem a minha criança.
Nos aniversários das mesmas, aí sim (na minha perspectiva) deve ser o momento das crianças.
Um beijinhos para todos e se quiserem apareçam para beber uma taça de vinho, champagne ou água simplesmente! Serão muito bem-vindos, mas sem presentes ! Isso sim ela vai adorar e nós também. Fico à vossa espera!"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aceitação

Integrei há uma semana uma nova equipa de trabalho. São pessoas que já conhecia e os projectos também não me são estranhos. De resto, desde Fevereiro último, tudo na minha vida têm sido mudanças e adaptações. Isto implica que nos apresentemos sempre como uma página em branco. Sucedem-se as apresentações, há sempre algum rosto no qual nunca reparámos ou que estamos a ver efectivamente pela primeira vez; e há reencontros, muitos, porque este mundinho é mesmo muito pequeno. E, como vamos amadurecendo e adquirindo experiência e conhecimento, também para os que já nos conhecem, fazemos parte de um outro contexto, de uma nova realidade. Há, no entanto, um pormenor comum, o de desejarmos ser aceites.
Curioso é que o tentamos pela via pessoal, procuramos encontrar nas conversas que vamos gerando ou em que nos vamos infiltrando, pontos em comum, algo que nos ligue e naturalmente nos aproxime, das nossas vidas privadas: falamos das primeiras vezes dos nossos filhos bebés, preocupamo-nos ou não tanto com a gripe A, descrevemos viagens e desabafamos o desejo de voltar a ter férias, partilhamos o que vai ser o jantar hoje e como o confeccionamos, confessamos que gostávamos de ter um cão, mas que é um desejo egoísta porque vivemos num apartamento… Enfim, uma panóplia infindável de hábitos e opiniões que nos aproximam numa relação que extravasa o banal, porque realmente nos importam estas conversas, e fica ali numa zona cinzenta, porque também ainda não atingimos aquele ponto de intimidade que nos leva de colegas a amigos.
Mais curioso ainda é que indubitavelmente, existe um dado comum a todos nós que é o trabalho, os projectos, a nova equipa, os recém chegados chefes e dedicamos-lhe apenas cerca de 20% destes momentos de conversa que vamos tendo ao longo de todo o dia. A aceitação pessoal toma assim as rédeas e é protagonista, em detrimento da aceitação profissional.
Sou muito ingénua, mas será porque aqui o nosso real interesse é competir, ter as melhores ideias sem as divulgar com receio de no-las roubarem? Fechamo-las a 7 chaves até termos abertura para as revelarmos, em segurança, ou quando entendemos ser oportunos. O momento certo no lugar certo pode transformar qualquer um de nós, simples operacionais, num ”cérebro” e ganhar a tão desejada aceitação. Esta aceitação, profissional, a este nível, não a conseguimos obter de todos. É pena, porque a competência e a eficiência deveriam ser, por si só e pelo que lhes é inerente, o principal motivo de aceitação neste mundo tão “cão”. Há posturas e atitudes que não entendo. Eu quero participar, ter a coragem de dizer talvez o que nem faça sentido ou o que seja irrelevante, mas efectivamente partilhar porque o meu entendimento é que posso contribuir para um objectivo comum. Não é preciso brilhar, não precisamos do palco, apenas ter a oportunidade de nos fazermos ouvir… ou não será esta uma forma generosa de nos sentirmos aceites?

Expectativas...



Aqui está mais uma reflexão, não minha, mas que alguém me deu como resposta neste contexto:

Ela - "A tua filha tem boas notas ?"
Eu - "Eh! Mais ou menos, teve 2 testes de 50 e tal %, um de 89% e os outros são todos de 70 e tal..."
Ela - "Ah, então ?! São notas boas, porque falas assim, meio desiludida ?"
Eu - "Porque sei que se ela trabalhasse mais, se fosse menos preguiçosa, as notas seriam muito melhores! Distrai-se com muitas coisas."
Ela - "Já pensaste que ela pode ser mais feliz assim ?!"

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a tomar Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

De João Pereira Coutinho

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Choque












a minha pequenina cresceu…
ainda vejo aquela boneca que foi à escola a primeira vez…
o seu coração despertou…
a menina ficou mulher…
já sabia mas não via assim…
memórias e lembranças levam-me até bem lá atrás no tempo…
mais uma etapa, mais um começo…
anseio por tudo saber…
quero respeitar, acima de tudo…
resta-me estar por aqui…
não sei bem de que forma…
o momento, ao saber, que me chocou…
foi o que tanto me emocionou…
não poder dar aquele abraço...
saber que o seu coração despertou…

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A call to bring the world together…

Não posso deixar de publicar este apelo aqui. Para já, em inglês, vou depois tentar traduzir. O link está aqui ao lado, que designei como "Das mais nobres qualidades" para consulta...

"The principle of compassion lies at the heart of all religious, ethical and spiritual traditions, calling us always to treat all others as we wish to be treated ourselves. Compassion impels us to work tirelessly to alleviate the suffering of our fellow creatures, to dethrone ourselves from the centre of our world and put another there, and to honour the inviolable sanctity of every single human being, treating everybody, without exception, with absolute justice, equity and respect.
It is also necessary in both public and private life to refrain consistently and empathically from inflicting pain. To act or speak violently out of spite, chauvinism, or self-interest, to impoverish, exploit or deny basic rights to anybody, and to incite hatred by denigrating others—even our enemies—is a denial of our common humanity. We acknowledge that we have failed to live compassionately and that some have even increased the sum of human misery in the name of religion.
We therefore call upon all men and women ~ to restore compassion to the centre of morality and religion ~ to return to the ancient principle that any interpretation of scripture that breeds violence, hatred or disdain is illegitimate ~ to ensure that youth are given accurate and respectful information about other traditions, religions and cultures ~ to encourage a positive appreciation of cultural and religious diversity ~ to cultivate an informed empathy with the suffering of all human beings—even those regarded as enemies.
We urgently need to make compassion a clear, luminous and dynamic force in our polarized world. Rooted in a principled determination to transcend selfishness, compassion can break down political, dogmatic, ideological and religious boundaries. Born of our deep interdependence, compassion is essential to human relationships and to a fulfilled humanity. It is the path to enlightenment, and indispensible to the creation of a just economy and a peaceful global community."