quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Verdadeiro espírito de Natal


Não posso deixar de publicar este pedido que acabei de receber. Reflecte o espírito natalício que subscrevo. É preciso ter coragem para renunciar assim ao materialismo e assumi-lo perante família e amigos e vizinhos. A Leonor ainda é pequenina, tem só 4 anos, mas EU SEI, já vi, que ela também percebe e aceita isto com um grande sorriso. Bravo!!!


"Amigas, Vizinhas, e família
Antes de mais votos de excelente Natal!
Pois cá venho eu falar-vos de um tema que me incomoda e como já sabem que sou assim …. avanço com a minha já tão conhecida frontalidade:
Este ano, gostaria de partilhar convosco o seguinte:
1. A Leonor tem milhões de brinquedos
2. Neste altura do ano, vai receber outros tantos (avós, e família directa, empresa)
3. Não aprecio mesmo nada o momento de abertura compulsiva dos mesmos na noite em que é suposto estarmos com miminhos e muitos!
Pelo que, espero que não se sintam incomodados com a minha decisão mas peço-vos para NÃO comprarem prenda de natal para ela. Não deverá ser uma obrigação pelo que fica aqui o meu pedido…. A minha filha também agradece, pois é uma forma de educação. Ter menos, para SER mais…
O Natal não é isso, e a vida não está para isso.
Em vez disso (e caso pretendam) agradeço que canalizem a quantia que iam gastar com ela em algo que possa ajudar as crianças que de facto necessitam. Ou não, cada um sabe da sua vida.
No que me diz respeito, vou agarrar numa determinada quantia e vou distribuir pelas associações que conheço, com alimentos e outros bens de 1ª necessidade. Faço-o sempre, mas agora farei talvez com outro maior cuidado.
Todos os anos há uma escolha em minha casa, de dezenas de brinquedos com que não se chegou a brincar… e não é justo.
Como decerto entenderam, cada um fará o que melhor decidir, mas no meu caso e olhando para todos vós (felizmente) não vejo necessidade deste consumo e não me parece que as vossas crianças fiquem mais felizes com o presente residual que se oferece no Natal. Nem a minha criança.
Nos aniversários das mesmas, aí sim (na minha perspectiva) deve ser o momento das crianças.
Um beijinhos para todos e se quiserem apareçam para beber uma taça de vinho, champagne ou água simplesmente! Serão muito bem-vindos, mas sem presentes ! Isso sim ela vai adorar e nós também. Fico à vossa espera!"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aceitação

Integrei há uma semana uma nova equipa de trabalho. São pessoas que já conhecia e os projectos também não me são estranhos. De resto, desde Fevereiro último, tudo na minha vida têm sido mudanças e adaptações. Isto implica que nos apresentemos sempre como uma página em branco. Sucedem-se as apresentações, há sempre algum rosto no qual nunca reparámos ou que estamos a ver efectivamente pela primeira vez; e há reencontros, muitos, porque este mundinho é mesmo muito pequeno. E, como vamos amadurecendo e adquirindo experiência e conhecimento, também para os que já nos conhecem, fazemos parte de um outro contexto, de uma nova realidade. Há, no entanto, um pormenor comum, o de desejarmos ser aceites.
Curioso é que o tentamos pela via pessoal, procuramos encontrar nas conversas que vamos gerando ou em que nos vamos infiltrando, pontos em comum, algo que nos ligue e naturalmente nos aproxime, das nossas vidas privadas: falamos das primeiras vezes dos nossos filhos bebés, preocupamo-nos ou não tanto com a gripe A, descrevemos viagens e desabafamos o desejo de voltar a ter férias, partilhamos o que vai ser o jantar hoje e como o confeccionamos, confessamos que gostávamos de ter um cão, mas que é um desejo egoísta porque vivemos num apartamento… Enfim, uma panóplia infindável de hábitos e opiniões que nos aproximam numa relação que extravasa o banal, porque realmente nos importam estas conversas, e fica ali numa zona cinzenta, porque também ainda não atingimos aquele ponto de intimidade que nos leva de colegas a amigos.
Mais curioso ainda é que indubitavelmente, existe um dado comum a todos nós que é o trabalho, os projectos, a nova equipa, os recém chegados chefes e dedicamos-lhe apenas cerca de 20% destes momentos de conversa que vamos tendo ao longo de todo o dia. A aceitação pessoal toma assim as rédeas e é protagonista, em detrimento da aceitação profissional.
Sou muito ingénua, mas será porque aqui o nosso real interesse é competir, ter as melhores ideias sem as divulgar com receio de no-las roubarem? Fechamo-las a 7 chaves até termos abertura para as revelarmos, em segurança, ou quando entendemos ser oportunos. O momento certo no lugar certo pode transformar qualquer um de nós, simples operacionais, num ”cérebro” e ganhar a tão desejada aceitação. Esta aceitação, profissional, a este nível, não a conseguimos obter de todos. É pena, porque a competência e a eficiência deveriam ser, por si só e pelo que lhes é inerente, o principal motivo de aceitação neste mundo tão “cão”. Há posturas e atitudes que não entendo. Eu quero participar, ter a coragem de dizer talvez o que nem faça sentido ou o que seja irrelevante, mas efectivamente partilhar porque o meu entendimento é que posso contribuir para um objectivo comum. Não é preciso brilhar, não precisamos do palco, apenas ter a oportunidade de nos fazermos ouvir… ou não será esta uma forma generosa de nos sentirmos aceites?

Expectativas...



Aqui está mais uma reflexão, não minha, mas que alguém me deu como resposta neste contexto:

Ela - "A tua filha tem boas notas ?"
Eu - "Eh! Mais ou menos, teve 2 testes de 50 e tal %, um de 89% e os outros são todos de 70 e tal..."
Ela - "Ah, então ?! São notas boas, porque falas assim, meio desiludida ?"
Eu - "Porque sei que se ela trabalhasse mais, se fosse menos preguiçosa, as notas seriam muito melhores! Distrai-se com muitas coisas."
Ela - "Já pensaste que ela pode ser mais feliz assim ?!"

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a tomar Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

De João Pereira Coutinho

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Choque












a minha pequenina cresceu…
ainda vejo aquela boneca que foi à escola a primeira vez…
o seu coração despertou…
a menina ficou mulher…
já sabia mas não via assim…
memórias e lembranças levam-me até bem lá atrás no tempo…
mais uma etapa, mais um começo…
anseio por tudo saber…
quero respeitar, acima de tudo…
resta-me estar por aqui…
não sei bem de que forma…
o momento, ao saber, que me chocou…
foi o que tanto me emocionou…
não poder dar aquele abraço...
saber que o seu coração despertou…

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A call to bring the world together…

Não posso deixar de publicar este apelo aqui. Para já, em inglês, vou depois tentar traduzir. O link está aqui ao lado, que designei como "Das mais nobres qualidades" para consulta...

"The principle of compassion lies at the heart of all religious, ethical and spiritual traditions, calling us always to treat all others as we wish to be treated ourselves. Compassion impels us to work tirelessly to alleviate the suffering of our fellow creatures, to dethrone ourselves from the centre of our world and put another there, and to honour the inviolable sanctity of every single human being, treating everybody, without exception, with absolute justice, equity and respect.
It is also necessary in both public and private life to refrain consistently and empathically from inflicting pain. To act or speak violently out of spite, chauvinism, or self-interest, to impoverish, exploit or deny basic rights to anybody, and to incite hatred by denigrating others—even our enemies—is a denial of our common humanity. We acknowledge that we have failed to live compassionately and that some have even increased the sum of human misery in the name of religion.
We therefore call upon all men and women ~ to restore compassion to the centre of morality and religion ~ to return to the ancient principle that any interpretation of scripture that breeds violence, hatred or disdain is illegitimate ~ to ensure that youth are given accurate and respectful information about other traditions, religions and cultures ~ to encourage a positive appreciation of cultural and religious diversity ~ to cultivate an informed empathy with the suffering of all human beings—even those regarded as enemies.
We urgently need to make compassion a clear, luminous and dynamic force in our polarized world. Rooted in a principled determination to transcend selfishness, compassion can break down political, dogmatic, ideological and religious boundaries. Born of our deep interdependence, compassion is essential to human relationships and to a fulfilled humanity. It is the path to enlightenment, and indispensible to the creation of a just economy and a peaceful global community."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A consciência é o antídoto para a imbecilidade

A propósito do post de ontem, tenho que publicar aqui este texto, válido para as crianças adolescentes e para os crescidos também:

“Sabes qual é a única obrigação que temos nesta vida? Pois é a de não sermos imbecis. A palavra «imbecil» é mais densa do que parece, não duvides. Vem do latim baculus, que significa «bastão»: o imbecil é o que precisa de um bastão ou bengala para andar. Que não se zanguem connosco os coxos nem os velhos, pois a bengala a que nos referimos não é a que muito legitimamente se usa para ajudar a sustentar-se e a andar um corpo enfraquecido por algum acidente ou pela idade. O imbecil pode ser tão ágil quanto se queira e dar saltos como uma gazela olímpica, não é disso que se trata. Se o imbecil coxeia não é dos pés, mas do espírito: é o seu espírito que é enfermiço e manco, embora o seu corpo possa dar cambalhotas de primeira. Há imbecis de diversos modelos, à escolha:
a) O que acredita que não quer nada, o que diz que para ele é tudo igual, o que vive num perpétuo bocejo ou numa sesta permanente, mesmo que tenha os olhos abertos e não ressone.
b) O que acredita que quer tudo, a primeira coisa que lhe aparece e o contrário do que lhe aparece: ir-se embora e ficar, dançar e estar sentado, mascar dentes de alho e dar beijinhos sublimes, tudo ao mesmo tempo.
c) O que não sabe o que quer nem se dá ao trabalho de o averiguar. Imita os quereres dos seus vizinhos ou contraria-os porque sim, tudo o que faz é ditado pela opinião maioritária daqueles que o rodeiam: é conformista sem reflexão ou revoltado sem causa.
d) O que sabe que quer e sabe o que quer e, mais ou menos, sabe porque é que o quer. Mas que pouco, com medo ou sem força. Acaba sempre por fazer, bem vistas as coisas, o que não quer, deixando o que quer para amanhã, pois talvez amanhã esteja mais bem-disposto.
e) O que quer com força e ferocidade, em estilo bárbaro, mas se enganou a si próprio acerca do que é a realidade; despista-se em grande e acaba por confundir a vida boa com aquilo que o há-de tornar pó.
Todos estes tipos de imbecilidade precisam de bengala, ou seja, precisam de se apoiar em coisas de fora, alheias, que nada têm que ver com a liberdade e reflexão pessoais.O contrário de se ser moralmente imbecil é ter-se consciência.Em que consiste essa consciência, que nos curará da imbecilidade moral? Fundamentalmente nos traços seguintes:
a) Saber que nem tudo vem a dar no mesmo porque queremos realmente viver e, além disso, viver bem, humanamente bem.
b) Estarmos dispostos a prestar atenção para vermos se aquilo que fazemos corresponde ou não ao que deveras queremos.
c) À base de prática, irmos desenvolvendo o bom gosto moral, de tal modo que haja certas coisas que nos repugne espontaneamente fazer (por exemplo, termos «nojo» de mentir como temos em geral nojo de mijar na terrina da sopa em que vamos comer a seguir…)
d) Renunciarmos a procurar argumentos que dissimulem o facto de sermos livres e portanto razoavelmente responsáveis pelas consequências dos nossos actos.

” F. SAVATER, Ética para um jovem"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crianças adolescentes

Desde a semana passada que o meu pensamento me leva frequentemente à reunião em que participei, do Conselho de Turma da turma da Maria, na qualidade de Representante dos Encarregados de Educação. Receio ser injusta na impressão geral com que fiquei, mas parece-me efectivamente que apenas se cumpriu um pró-forma. Admiro a Directora de Turma que provou, ao longo destes 3 anos, ser uma verdadeira educadora, com experiência e visão, sempre muito objectiva e imparcial nas suas apreciações. Mais uma vez o foi e até manifestou alguma preocupação ao escutar a voz dos alunos (a Delegada de Turma, também presente, levou uma lista de “recados”) já que existe um problema identificado que acaba por caracterizar a turma. Há um pequeno grupo de “desordeiros” que coloca a turma no top do ranking do mau comportamento naquela escola.
Estas crianças, assim se devem chamar, que até reconhecem as suas atitudes menos próprias e sabem o que fazer para mudar, levam a cabo apenas metade do trabalho: registam os erros e apresentam as intenções de correcção, infelizmente, apenas as intenções, porque tudo se repete. No meu 7º ano, lembro-me também de fazer parte de uma turma em que um grupo de 5 ou 6 fazia a vida negra aos professores, incendiando caixotes do lixo, partindo as janelas para sair para o recreio, faltando às aulas e/ou indo frequentemente para a rua, enfim, até me lembro do constrangimento que senti quando, por causa daquele bando, tivemos uma falta colectiva. Nunca tal! Este parêntesis serve para concluir que não são os dias de hoje, em que tudo é facilitado a estas crianças adolescentes, em que lhes é dado acesso a tudo e mais alguma coisa e, pobrezinhos, para não causar qualquer tipo de trauma a estas cabecinhas, homens de amanhã, deixamo-los livres e confiamos neles ou tapamos intencionalmente os olhos. Mas sempre assim foi, sempre houveram “maus da fita” ou até outro tipo de perturbadores. Quem não teve na turma um cromo ou uma miúda que trocava de namorado todas as semanas ou ainda a que se vestia estranhamente todo de preto ou a parola da aldeia das redondezas.
Esta é uma turma heterogénea. Na escola, tal como em qualquer local de trabalho, confrontamo-nos com colegas diferentes, mais ou menos competentes, responsáveis ou negligentes, empenhados ou desmotivados. Temos que preparar esta gente para saber lidar com a diferença, é fundamental falar-lhes de bom senso, de equilíbrio, de razoabilidade, da valorização e da penalização, do que leva a um ou a outro caminho, de ensiná-los a usar a sua condição de inteligentes para um bem comum. O trabalho a fazer é agora, mas confesso, não sei se confio no grupo de professores que trabalham esta turma e outros grupos outras. No fundo, também não resta alternativa: um diz frequentemente aos alunos que não gosta de ser professor e que já devia estar reformado; outra permanentemente faz troça dos miúdos, desrespeitando-os; outra fala-lhes mal da colega, também professora deles; vi nitidamente uma mudança de atitude face à abordagem de uma aluna, quando percebida a minha presença; a própria reunião foi “a despachar”, quando, a meu ver há assuntos verdadeiramente importantes a tratar e rotas a traçar, estratégias a implementar.
Cometemos, nós, adultos, um erro crasso, que é substimar estas pessoas, estes adolescentes que pouco têm de inocência, mas muito de esperteza. E, claro que entendem o que fazem, óbvio que têm noções claríssimas de justiça, sabem muitíssimo bem distinguir o bem do mal. E, como herança de crianças, ninguém como elas tem a sabedoria de dispor de todos os meios ao alcance para atingir objectivos, para conseguirem o que querem. São persistentes e nós não fazemos mais do que ceder. É um cenário ambíguo, este, por um lado devemos tratá-los como crescidos, por outro, temos que utilizar a autoridade para dizer-lhes que ainda não são tão crescidos assim. Uma coisa é certa: ainda que eles nos ouçam dizer como deve ser, só vão mesmo fazer como nós fazemos. E nenhum destes crescidos, supostamente educadores (pais e professores) dá o exemplo!