Integrei há uma semana uma nova equipa de trabalho. São pessoas que já conhecia e os projectos também não me são estranhos. De resto, desde Fevereiro último, tudo na minha vida têm sido mudanças e adaptações. Isto implica que nos apresentemos sempre como uma página em branco. Sucedem-se as apresentações, há sempre algum rosto no qual nunca reparámos ou que estamos a ver efectivamente pela primeira vez; e há reencontros, muitos, porque este mundinho é mesmo muito pequeno. E, como vamos amadurecendo e adquirindo experiência e conhecimento, também para os que já nos conhecem, fazemos parte de um outro contexto, de uma nova realidade. Há, no entanto, um pormenor comum, o de desejarmos ser aceites.Curioso é que o tentamos pela via pessoal, procuramos encontrar nas conversas que vamos gerando ou em que nos vamos infiltrando, pontos em comum, algo que nos ligue e naturalmente nos aproxime, das nossas vidas privadas: falamos das primeiras vezes dos nossos filhos bebés, preocupamo-nos ou não tanto com a gripe A, descrevemos viagens e desabafamos o desejo de voltar a ter férias, partilhamos o que vai ser o jantar hoje e como o confeccionamos, confessamos que gostávamos de ter um cão, mas que é um desejo egoísta porque vivemos num apartamento… Enfim, uma panóplia infindável de hábitos e opiniões que nos aproximam numa relação que extravasa o banal, porque realmente nos importam estas conversas, e fica ali numa zona cinzenta, porque também ainda não atingimos aquele ponto de intimidade que nos leva de colegas a amigos.
Mais curioso ainda é que indubitavelmente, existe um dado comum a todos nós que é o trabalho, os projectos, a nova equipa, os recém chegados chefes e dedicamos-lhe apenas cerca de 20% destes momentos de conversa que vamos tendo ao longo de todo o dia. A aceitação pessoal toma assim as rédeas e é protagonista, em detrimento da aceitação profissional.
Sou muito ingénua, mas será porque aqui o nosso real interesse é competir, ter as melhores ideias sem as divulgar com receio de no-las roubarem? Fechamo-las a 7 chaves até termos abertura para as revelarmos, em segurança, ou quando entendemos ser oportunos. O momento certo no lugar certo pode transformar qualquer um de nós, simples operacionais, num ”cérebro” e ganhar a tão desejada aceitação. Esta aceitação, profissional, a este nível, não a conseguimos obter de todos. É pena, porque a competência e a eficiência deveriam ser, por si só e pelo que lhes é inerente, o principal motivo de aceitação neste mundo tão “cão”. Há posturas e atitudes que não entendo. Eu quero participar, ter a coragem de dizer talvez o que nem faça sentido ou o que seja irrelevante, mas efectivamente partilhar porque o meu entendimento é que posso contribuir para um objectivo comum. Não é preciso brilhar, não precisamos do palco, apenas ter a oportunidade de nos fazermos ouvir… ou não será esta uma forma generosa de nos sentirmos aceites?
Por isso te admirar tanto... por essa ingenuidade pura que partilho... o egoísmo e a falsidade também nunca fizeram parte do meu íntimo... e, por isso, aqui vamos estando... no grupo dos "elos mais fracos"...
ResponderEliminarSU
A necessidade de ser aceite... curioso.
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